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03 de novembro, 13:02
Um estudante de 17 anos recebeu um áudio com ameaça de morte em um grupo de WhatsApp da turma, em uma escola do Distrito Federal, durante a apuração da eleição presidencial. O caso acende o alerta sobre violência política e intolerância no ambiente escolar.
Rodrigo Silva
03 de novembro de 2026, 12:33 · Atualizado em 03 de novembro de 2026, 13:47
Um estudante de 17 anos, identificado com o nome fictício de Felipe, recebeu um áudio com ameaça de morte em um grupo de WhatsApp da turma, em uma escola do Distrito Federal. A mensagem dizia que ele não voltaria vivo se fosse à aula e ocorreu durante a apuração dos votos da eleição presidencial.
Nos áudios, o autor questiona o voto do colega, faz ofensas e também envia mensagens de intolerância religiosa. Ele ainda disse que agrediria outros cinco colegas caso seu candidato perdesse. Outro adolescente curtiu as mensagens e enviou figurinhas de risada.
Segundo a mãe, o jovem passou a semana sem ir à escola e teme voltar. A família não registrou boletim de ocorrência por medo de exposição e retaliações. A direção, ainda de acordo com a mãe, informou que o autor dos áudios foi transferido e o aluno que concordou foi suspenso por quatro dias.
O caso mostra como a intolerância política pode chegar às salas de aula e aos grupos de mensagens dos estudantes. Ameaças, ofensas e constrangimentos não são “brincadeira” e podem causar danos emocionais duradouros.
A escola é um espaço de convivência e formação. Quando a disputa política entra no ambiente escolar na forma de ameaça, ela deixa de ser debate e passa a ser violência. O episódio também envolve intolerância religiosa, o que amplia o impacto sobre a vítima e sobre a comunidade escolar.
Casos assim exigem resposta rápida da direção, acolhimento ao estudante ameaçado e acompanhamento das famílias. Também é importante separar a discussão de ideias do ataque pessoal.
Em situações de ameaça, o primeiro passo é preservar as provas: prints, áudios e mensagens, sem apagar o conteúdo. A direção da escola deve ser informada imediatamente. O Conselho Tutelar do município também pode ser acionado para proteger crianças e adolescentes.
O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo violência contra crianças e adolescentes. Em caso de risco imediato, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. A família pode registrar boletim de ocorrência e pedir medidas de proteção.
A escola precisa ter um protocolo claro para casos de ameaça e cyberbullying: ouvir a vítima, comunicar as famílias, acompanhar os envolvidos e acionar a rede de proteção quando necessário. O diálogo sobre cidadania digital e respeito às diferenças também deve fazer parte do cotidiano.
Em casa, os responsáveis podem acompanhar os grupos e redes sociais dos adolescentes, conversar sobre o que circula na internet e ensinar que compartilhar ameaças também é uma forma de participação na violência.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece que crianças e adolescentes têm direito à proteção integral, à dignidade e ao respeito. A escola, a família e o poder público são responsáveis por garantir esses direitos e por coibir qualquer forma de violência.
A denúncia não precisa ser feita apenas pela vítima. Qualquer pessoa que presencie ou saiba de uma ameaça pode procurar o Conselho Tutelar, a escola ou os canais de proteção.
O alerta vale para escolas e famílias de Rondônia e de todo o país: ameaças entre adolescentes precisam ser levadas a sério e acompanhadas de perto, inclusive no ambiente digital. O silêncio e a banalização podem agravar o problema.
A informação é uma ferramenta de proteção. Saber onde denunciar, preservar as provas e acolher a vítima são atitudes que podem evitar que uma ameaça se transforme em violência.
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