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Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil em 2025, mostra IBGE

País tinha 1,5 milhão de crianças e adolescentes em trabalho infantil; Norte tem a maior proporção.

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Rodrigo Silva

20 de outubro de 2026, 08:43

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#Brasil #Saúde-Mental #Saúde #Saúde Pública
Trabalho infantil cai 9,2% no Brasil em 2025, mostra IBGE

Brasil registra 1,5 milhão de crianças e adolescentes em trabalho infantil em 2025, aponta IBGE

O Brasil tinha 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil em 2025, o equivalente a 4% dessa faixa etária. O número representa uma queda de 9,2% em relação a 2024, quando foram registrados 1,65 milhão de casos, e é 28,6% inferior ao de 2016. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira (16) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o pesquisador Gustavo Fontes, a redução está associada a uma combinação de fatores: a ampliação de políticas públicas de proteção à infância, o fortalecimento do Bolsa Família, o aquecimento do mercado de trabalho e o aumento da renda das famílias. Ele destaca que esse conjunto de medidas tem contribuído para retirar crianças e adolescentes de situações de exploração laboral e garantir maior acesso à escola e a atividades socioeducativas.

Piores formas de trabalho infantil

As chamadas piores formas de trabalho infantil — que incluem atividades perigosas, insalubres ou que comprometem o desenvolvimento físico, mental e social dos jovens — atingiam 525 mil crianças e adolescentes em 2025, o menor patamar já registrado na série histórica da pesquisa. Esse dado reforça a tendência de queda, mas ainda representa um contingente significativo de jovens expostos a riscos graves.

Distribuição regional e perfil dos casos

O Sudeste concentra o maior número absoluto de casos, com 481 mil crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil. No entanto, a maior proporção em relação à população da faixa etária está na Região Norte, onde a incidência chega a 6,3%. A pesquisa também revela que a prática cresce com a idade: são 280 mil casos entre 5 e 13 anos, 348 mil entre 14 e 15 anos e 871 mil entre 16 e 17 anos.

Quanto ao perfil, os meninos representam 65,4% dos casos, enquanto pretos e pardos correspondem a 67% do total. Entre os setores com maior ocorrência, destacam-se o comércio, com 29% dos casos, e a agropecuária, com 16,7%.

Desafios persistentes

Apesar dos avanços, os números ainda acendem um alerta. O trabalho infantil continua afetando principalmente crianças mais velhas, adolescentes negros e meninos, além de estar concentrado em regiões e setores específicos. Especialistas apontam que a erradicação do problema exige não apenas a manutenção das políticas públicas existentes, mas também o fortalecimento da fiscalização, a ampliação do acesso à educação em tempo integral e a criação de oportunidades de qualificação profissional para jovens em situação de vulnerabilidade.


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