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Rondônia diante do calor, da seca e do fogo: o que a ciência já sabe e o que cada pessoa pode fazer

El Niño, queimadas, fumaça, água, saúde e trabalho: uma investigação sobre o que está por trás dos extremos climáticos em Rondônia e por que pequenas atitudes dentro de casa também podem fazer diferença.

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Rodrigo Silva

17 de agosto de 2026, 09:51 · Atualizado em 17 de agosto de 2026, 11:34

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#Clima #Qualidade de Vida #Saúde #Segurança
Rondônia diante do calor, da seca e do fogo: o que a ciência já sabe e o que cada pessoa pode fazer

floresta sendo quimada

Existe uma pergunta que parece simples, mas ficou cada vez mais difícil de responder em Rondônia:

Por que parece que o calor está diferente, a seca está mais preocupante e a fumaça voltou a fazer parte da paisagem?

A resposta não cabe em uma única palavra.

Não é apenas o El Niño. Não é apenas a falta de chuva. Não é apenas o desmatamento. Não é apenas o fogo colocado em um terreno, em uma pastagem ou no quintal de uma casa.

O problema é justamente a combinação.

Quando o oceano muda, a atmosfera responde. Quando a chuva diminui, a vegetação perde umidade. Quando a temperatura sobe, o solo e as plantas secam mais rapidamente. Quando existe material combustível disponível, o fogo se espalha com mais facilidade. E quando milhares de focos acontecem ao mesmo tempo, a fumaça deixa de ser apenas um problema ambiental e passa a ser um problema de saúde pública, mobilidade, economia e qualidade de vida.

Em 2026, esse cenário merece atenção especial.

Mas há algo ainda mais importante: o que está acontecendo hoje não começou hoje.

Antes de olhar para 2026, é preciso olhar para trás

Os registros de queimadas em Rondônia mostram que o problema possui uma longa história.

Um estudo baseado nos dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) analisou a distribuição dos focos de calor no estado entre 2000 e 2022. Nesse período foram identificados 338.729 focos de calor, com média anual de aproximadamente 14.727 ocorrências. Os anos de 2005 e 2013 aparecem, respectivamente, entre os extremos da série analisada.

Outra série histórica, de 2018 a 2022, mostra:

AnoFocos de calor em Rondônia
201810.255
201911.230
202011.145
202110.030
202212.393

Os números mostram algo importante: o fogo já era um problema estrutural muito antes de 2026.

Mas a história recente teve uma ruptura.

Em 2024, Rondônia registrou 28.513 focos de calor, segundo dados compilados pelo governo estadual a partir do INPE. Em 2025, o número caiu para 2.590, uma redução de 91,37%.

E os primeiros meses de 2026 também apresentaram redução: entre janeiro e maio foram registrados 205 focos de calor, contra 406 no mesmo período de 2025, queda de 49,51%, segundo a Sedam.

Isso significa que Rondônia está livre do problema?

Não.

Significa que ações de prevenção, fiscalização, monitoramento e condições meteorológicas podem mudar drasticamente o número de ocorrências.

E significa também que uma temporada aparentemente melhor não elimina o risco da próxima.


Mas afinal: o que o El Niño tem a ver com Rondônia?

El Niño é uma fase do fenômeno climático El Niño–Oscilação Sul, o ENSO. Ele acontece quando as águas superficiais do Pacífico equatorial central e leste ficam anormalmente mais quentes, alterando a circulação atmosférica e influenciando os padrões de temperatura e chuva em diferentes partes do planeta.

O fenômeno não determina sozinho o clima de uma cidade.

Ele altera as probabilidades.

É por isso que dois anos de El Niño podem apresentar resultados diferentes. A intensidade, duração, época do ano e interação com outros fenômenos também importam.

Em 2026, porém, os sinais são particularmente relevantes.

A Organização Meteorológica Mundial informou em 31 de julho que um El Niño forte estava se desenvolvendo e deveria se intensificar entre agosto e outubro de 2026. A previsão global indicava temperaturas acima do normal em grande parte do planeta e mudanças importantes nos regimes de chuva.

A NOAA havia informado em julho que o índice Niño-3.4 estava em +1,2 °C e estimava 81% de chance de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro, potencialmente entre os maiores eventos registrados desde 1950.

É por isso que autoridades de Rondônia estão tratando o assunto com seriedade.

Em 9 de junho de 2026, o Tribunal de Contas do Estado promoveu em Porto Velho a reunião técnica “Super El Niño 2026: impactos para Rondônia e estratégias de resposta”, com participação da Sedam, Corpo de Bombeiros, Defensoria Pública, Procuradoria do Estado, pesquisadores e outras instituições.

Mas há uma ressalva importante para o leitor:

a OMM não utiliza oficialmente o termo “Super El Niño”.

A expressão é usada publicamente para descrever uma possibilidade de El Niño forte ou muito forte. A terminologia científica oficial continua sendo El Niño, classificado pela intensidade.


E por que isso importa tanto em Rondônia?

Porque Rondônia não é apenas uma área no mapa.

É um território formado por rios, florestas, áreas agrícolas, pastagens, cidades, estradas, comunidades rurais e diferentes tipos de solo e rocha.

O Serviço Geológico do Brasil mostra que Rondônia está sobre uma estrutura geológica extremamente antiga, inserida no Cráton Amazônico, com registros de eventos geológicos que remontam a bilhões de anos. O estado reúne diferentes províncias geocronológicas, bacias sedimentares e coberturas associadas aos grandes rios, entre elas as relacionadas aos rios Madeira, Guaporé e Jaci-Paraná.

O SGB também mantém um mapa estadual de geodiversidade criado para identificar as características, limitações e potencialidades do território relacionadas à geologia, relevo, solos e recursos naturais.

Mas existe uma distinção importante:

a geologia não causa as queimadas.

Ela ajuda a explicar o território sobre o qual o clima e a atividade humana acontecem.

É a combinação entre solo, relevo, água, vegetação, uso da terra e clima que ajuda a determinar a vulnerabilidade de cada região.

Em outras palavras: o território que recebemos da natureza tem características próprias. O modo como ocupamos e utilizamos esse território determina parte importante de sua capacidade de resistir aos extremos.


A floresta não é apenas uma paisagem

Essa talvez seja uma das maiores dificuldades para compreender o problema.

Uma árvore em pé não é apenas uma árvore.

Uma área preservada ajuda a manter um sistema que envolve sombra, umidade, solo, água, fauna, carbono e circulação de vapor para a atmosfera.

Quando a vegetação é retirada, o terreno fica mais exposto.

Quando o solo perde proteção, ele pode aquecer e perder umidade mais rapidamente.

Quando a vegetação seca, aumenta a quantidade de material combustível.

Quando o fogo entra nesse ambiente, a propagação pode ser muito mais rápida.

E quando tudo isso acontece durante um período de baixa umidade e chuva reduzida, o risco aumenta ainda mais.

É justamente nessa combinação que o clima pode transformar um foco isolado em um problema regional.


2024 mostrou como a crise pode chegar à cidade

Talvez ninguém precise de um laboratório para entender o que uma temporada extrema significa.

Basta lembrar de 2024.

Rondônia enfrentou forte estiagem, baixa qualidade do ar e uma grande quantidade de queimadas. Em agosto daquele ano, a Agência Nacional de Águas declarou situação crítica de escassez quantitativa dos recursos hídricos do rio Madeira e de seus afluentes.

A situação também afetou a navegação.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários precisou adotar medidas excepcionais para reduzir os impactos da seca severa na Amazônia, incluindo adaptações temporárias de terminais e flexibilizações para manter a movimentação de cargas essenciais.

Isso é importante porque o problema da água não fica dentro do rio.

Ele chega ao comércio.

Chega ao transporte.

Chega ao preço.

Chega ao combustível.

Chega ao agricultor.

Chega ao trabalhador.

Chega ao consumidor.

A hidrovia do Madeira é uma rota fundamental para o escoamento da produção agrícola de Rondônia e Mato Grosso. A própria ANTAQ destaca sua importância para o transporte de grãos e para a movimentação de passageiros na região.

Quando a água baixa demais, a capacidade de carga das embarcações pode ser reduzida, aumentando as dificuldades logísticas.

A pergunta então deixa de ser:

“A seca do rio é um problema ambiental?”

E passa a ser:

“Quanto custa para uma cidade quando o rio deixa de funcionar normalmente?”


E a fumaça? O que ela realmente coloca dentro do nosso corpo?

A fumaça de incêndios não é apenas “fumaça”.

Ela pode conter partículas finas e grossas, monóxido de carbono e outros gases.

O Ministério da Saúde destaca que as partículas finas, especialmente o MP2,5, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. A exposição pode irritar olhos e vias respiratórias e agravar doenças como asma e bronquite. Também pode aumentar riscos cardiovasculares, especialmente em pessoas com doenças preexistentes.

E a fumaça não precisa estar exatamente ao lado da pessoa.

Dependendo das condições meteorológicas e da circulação do ar, os poluentes podem viajar para áreas urbanas e rurais distantes do ponto onde o fogo começou.

Essa é uma das razões pelas quais a pergunta:

“Mas eu não moro perto da floresta. Por que estou sentindo a fumaça?”

tem uma resposta simples:

porque a atmosfera não respeita os limites do município.


Crianças, adultos e idosos: todos sofrem da mesma maneira?

Não.

Alguns grupos são mais vulneráveis.

O Ministério da Saúde recomenda atenção especial para crianças menores de cinco anos, idosos e gestantes, além de pessoas com problemas cardíacos, respiratórios ou imunológicos.

Nas crianças pequenas, o sistema respiratório ainda está em desenvolvimento.

Nos idosos, a presença de doenças cardiovasculares e respiratórias pode tornar a exposição mais perigosa.

Mas isso não significa que o adulto saudável esteja protegido.

Um adulto pode apresentar irritação dos olhos, dor de cabeça, tosse, dificuldade para respirar, cansaço e redução da capacidade física durante episódios de fumaça intensa.

Para quem trabalha na rua, o problema pode ser ainda maior.

Porque algumas pessoas não têm a opção de simplesmente fechar a janela e permanecer em casa.


O trabalhador que passa o dia sob o sol enfrenta dois riscos ao mesmo tempo

Existe um personagem que muitas vezes desaparece das discussões sobre clima:

o trabalhador.

Agricultor.

Pedreiro.

Roçador.

Entregador.

Motociclista.

Trabalhador de estrada.

Servidor de campo.

Vendedor ambulante.

Pessoa que trabalha em obra.

Quem passa horas sob o sol sente o problema no próprio corpo.

A Fundacentro alerta que a exposição ocupacional ao calor pode aumentar o risco de doenças e acidentes relacionados ao trabalho e, em situações graves, pode levar à morte.

O estresse térmico é ainda mais importante para trabalhadores que realizam esforço físico em ambientes externos. A instituição destaca que agricultores e outros trabalhadores ao ar livre estão entre os grupos expostos a condições particularmente severas.

Não é apenas desconforto.

O calor pode provocar:

desidratação;

fadiga;

queda de rendimento;

dificuldade de concentração;

tontura;

maior risco de acidentes;

e agravamento de problemas de saúde.

A própria Fundacentro explica que o calor extremo pode reduzir produtividade e aumentar os riscos à saúde dos trabalhadores, principalmente em atividades realizadas ao ar livre.

Isso cria uma pergunta que cada trabalhador pode fazer a si próprio:

Quantas horas do meu dia eu passo trabalhando em um ambiente mais quente do que o meu corpo consegue suportar com segurança?


E se eu trabalhar no campo?

Não existe uma solução única.

Mas existem medidas que reduzem o risco.

A orientação técnica publicada pela Agevisa em Rondônia recomenda manter boa hidratação durante todo o dia, evitar exposição ao sol nas horas mais quentes quando possível, permanecer em locais sombreados e ventilados e utilizar proteção contra radiação ultravioleta, como roupas adequadas, chapéu e óculos de proteção.

Para empresas e empregadores, isso também significa organizar o trabalho de forma compatível com as condições ambientais.

Quando o risco aumenta, pausas, acesso à água, sombra e planejamento de horários deixam de ser luxo.

São medidas de proteção.


Agora vem uma das perguntas mais importantes desta reportagem

“Eu só queimo as folhas do meu quintal. Qual é o problema?”

O problema pode começar justamente aí.

Em Rondônia, a Sedam informa que o uso do fogo em propriedades na zona urbana nunca foi permitido. A secretaria afirma expressamente que colocar fogo em lixo, folhas, galhos, entulhos e terrenos baldios é crime.

Isso não é apenas uma questão burocrática.

Folhas secas, papelão, plástico, galhos e resíduos domésticos produzem fumaça e poluentes.

Além disso, uma queima que parecia pequena pode sair do controle.

O próprio governo estadual alerta há anos que juntar folhas no quintal e atear fogo é uma prática irregular que pode provocar incêndios maiores e problemas respiratórios.

Em períodos de estiagem, o risco aumenta.

Uma rajada de vento pode levar uma brasa para a vegetação seca.

Um terreno pode estar mais seco do que parece.

Uma faísca pode atravessar uma área inteira.

E aquilo que começou como:

“Vou só queimar umas folhas”

pode terminar com:

“Como esse fogo chegou tão longe?”


O fogo não termina quando a chama desaparece

Essa é outra coisa que precisa ser entendida.

Quando o fogo termina, os impactos não desaparecem automaticamente.

As cinzas continuam no ambiente.

A fumaça permanece por algum tempo.

As partículas podem continuar suspensas no ar.

O solo pode permanecer exposto.

A vegetação queimada demora para se recuperar.

O Ministério da Saúde recomenda inclusive que alimentos, bebidas e medicamentos não sejam consumidos quando expostos a detritos ou cinzas de queimadas.

Por isso, prevenir é sempre melhor do que tentar controlar depois.


“Mas uma pessoa sozinha consegue fazer alguma diferença?”

Sim.

É justamente essa a parte mais importante desta reportagem.

Em 2026, Rondônia registrou redução dos focos de calor nos primeiros meses do ano. Isso demonstra que prevenção, monitoramento e fiscalização fazem diferença.

Mas também demonstra outra coisa.

Cada fogo evitado é um foco a menos para controlar.

A pessoa que não queima o lixo evita uma emissão.

A família que não ateia fogo às folhas evita um risco.

O produtor que utiliza práticas alternativas reduz a possibilidade de incêndio.

A comunidade que denuncia rapidamente ajuda a conter um foco antes que ele aumente.

A cidade que possui planejamento melhora sua capacidade de resposta.

O Estado que monitora por satélite consegue localizar o problema mais rapidamente.

O cidadão que entende o problema passa a enxergar o fogo de outra maneira.


O que fazer com folhas, galhos e lixo?

A primeira resposta deveria ser:

não colocar fogo.

Folhas e resíduos orgânicos podem seguir outras formas de destinação, conforme a estrutura de coleta e manejo disponível no município.

Galhos podem ser destinados conforme os serviços locais de limpeza urbana.

Resíduos recicláveis devem ser separados.

Materiais perigosos precisam de destinação específica.

O princípio é simples:

resíduo deve ser destinado; não queimado.

A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo também reforça que o uso do fogo precisa ser planejado, autorizado quando exigido e realizado sob condições específicas. A própria legislação recomenda alternativas ao uso do fogo sempre que possível.


O que fazer quando a fumaça chega?

O Ministério da Saúde recomenda, durante episódios de poluição por queimadas:

manter portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça;

permanecer em ambientes internos, quando possível;

evitar atividades físicas ao ar livre;

manter boa hidratação;

e, quando for necessário sair, utilizar máscaras como N95, PFF2 ou P100 corretamente ajustadas, quando disponíveis.

Também é importante observar sintomas.

Tosse persistente.

Falta de ar.

Chiado.

Irritação intensa dos olhos.

Dor no peito.

Piora de doenças respiratórias.

Mal-estar importante.

Em pessoas vulneráveis, a procura por atendimento deve ser ainda mais rápida.


E quando o problema é o calor?

Existe uma regra que parece simples, mas salva muita gente:

não esperar sentir sede para beber água.

A orientação da Agevisa em Rondônia reforça a hidratação ao longo do dia e recomenda evitar o sol nas horas mais quentes sempre que possível.

Para quem trabalha ao ar livre, também vale uma pergunta:

É possível mudar o horário da tarefa?

Porque realizar uma atividade pesada às 13h sob sol intenso não produz o mesmo risco que fazê-la mais cedo ou mais tarde.

Planejar também é prevenir.


E quem cria filhos pequenos?

Uma criança brincando no quintal pode parecer completamente saudável.

Mas isso não significa que a qualidade do ar seja segura.

Durante episódios de fumaça intensa, crianças pequenas devem receber atenção redobrada.

Isso significa reduzir exposição desnecessária, evitar atividades físicas ao ar livre em períodos críticos e observar sintomas respiratórios.

Uma pergunta simples pode ajudar pais e responsáveis:

“Se eu consigo sentir que o ar está pesado, por que eu colocaria uma criança para brincar justamente nesse ar?”


E os idosos?

A fumaça pode ser especialmente preocupante para idosos porque muitas vezes existe uma combinação de idade, doenças cardíacas, hipertensão ou problemas respiratórios prévios.

O Ministério da Saúde destaca maior necessidade de atenção para idosos e pessoas com problemas cardíacos e respiratórios.

Por isso, em períodos críticos, a família precisa olhar para o idoso antes que os sintomas apareçam.

Prevenção não é esperar alguém passar mal.

É reduzir o risco antes.


Existe também um custo que não aparece na fumaça

Quando um incêndio acontece, as pessoas normalmente enxergam a floresta destruída.

Mas existe um outro custo.

É o custo do atendimento médico.

É o trabalhador que não consegue produzir normalmente.

É a criança que falta à escola.

É o idoso que precisa de atendimento.

É a máquina que fica parada.

É a estrada afetada pela fumaça.

É a embarcação que não consegue operar normalmente.

É o produto que demora mais para chegar.

É o comércio que sofre com problemas logísticos.

É o município que precisa mobilizar equipes.

É o dinheiro público usado para combater um problema que poderia, em muitos casos, ter sido evitado.

Em 2024, a seca severa na Amazônia exigiu medidas excepcionais da ANTAQ para preservar operações essenciais de transporte e abastecimento.

Ou seja:

o impacto ambiental acaba virando impacto econômico.


2026 pode ser lembrado por duas coisas

Pode ser lembrado como o ano em que Rondônia enfrentou uma nova temporada climática severa.

Mas também pode ser lembrado como o ano em que a sociedade percebeu que prevenção funciona.

Essa escolha não está somente nas mãos dos governos.

Está também nos bairros.

Nas propriedades.

Nas empresas.

Nas escolas.

Nas famílias.

Nos pequenos hábitos.

A experiência de 2025 mostrou que Rondônia conseguiu reduzir drasticamente os focos de calor em comparação com 2024.

A experiência de 2026 mostra que o esforço de prevenção continua sendo necessário.


As perguntas que todos nós deveríamos fazer

O fogo que eu acendo realmente precisa existir?

Se a resposta for não, não acenda.

A folha que está no meu quintal precisa virar fumaça?

Não.

O lixo precisa ser queimado?

Não. Deve receber a destinação adequada.

Meu trabalho pode ser reorganizado para evitar o horário mais quente?

Quando possível, sim.

Estou bebendo água suficiente durante o trabalho?

Não espere a sede aparecer.

Crianças e idosos da minha família estão protegidos da fumaça?

Eles merecem atenção especial.

Estou acompanhando a qualidade do ar?

Em períodos críticos, acompanhar informações oficiais pode ajudar na tomada de decisão.

Vi um incêndio. Devo esperar ele ficar grande para denunciar?

Não.

Quanto mais cedo uma ocorrência é percebida, maior a possibilidade de resposta rápida.


Antes de terminar, uma última pergunta

“O que eu posso fazer hoje?”

A resposta talvez seja menos grandiosa do que parece.

Você pode não queimar as folhas do seu quintal.

Pode não colocar fogo no lixo.

Pode orientar um vizinho.

Pode proteger uma criança da fumaça.

Pode ajudar um idoso.

Pode levar água para alguém que trabalha sob o sol.

Pode organizar melhor seu horário de trabalho.

Pode denunciar uma queimada.

Pode cuidar de uma árvore.

Pode preservar uma nascente.

Pode evitar jogar uma bituca acesa na vegetação.

Pode ensinar seu filho que fogo não é uma ferramenta para desaparecer com o lixo.

E pode entender que meio ambiente não é uma assunto distante.

Meio ambiente é o ar que entra no pulmão.

É a água que sai da torneira.

É o rio que transporta mercadorias.

É a sombra onde o trabalhador descansa.

É a lavoura que precisa de chuva.

É a estrada pela qual o alimento chega.

É a criança brincando no quintal.

É o idoso respirando dentro de casa.

É a pessoa que precisa trabalhar amanhã.

Por isso, quando uma pequena coluna de fumaça aparece no quintal, talvez a pergunta não devesse ser:

“Será que alguém vai reclamar?”

A pergunta deveria ser:

“O que estou colocando no ar que todos nós vamos respirar?”

Rondônia já possui conhecimento científico, monitoramento por satélite, órgãos ambientais, equipes de emergência e décadas de dados.

O desafio agora é transformar esse conhecimento em comportamento.

Porque o clima pode estar fora do nosso controle.

O oceano está a milhares de quilômetros daqui.

O El Niño não pode ser desligado.

Mas o fogo que uma pessoa decide acender pode, muitas vezes, simplesmente não ser aceso.

E essa decisão, por menor que pareça, também faz parte da proteção de Rondônia.


A série histórica em uma frase

O fogo em Rondônia não nasceu com 2026; 2026 apenas chegou em um território que já carrega décadas de pressão ambiental, enquanto um novo El Niño forte aumenta a necessidade de prevenção.

Os dados históricos do INPE, as análises do SGB, as recomendações da Saúde, os registros de estiagem da ANA e os alertas climáticos da OMM convergem em uma mensagem:

quanto mais cedo a sociedade se prepara, menor tende a ser o preço pago quando o extremo climático chega.

Fontes técnicas principais: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE/Programa Queimadas); Organização Meteorológica Mundial (OMM); NOAA/Climate Prediction Center; Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM); Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA); Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ); Ministério da Saúde; Fundacentro; Governo do Estado de Rondônia; Sedam e Agevisa/RO.

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