Eleições 2026 em Rondônia: o que está em jogo, quem disputa e como o eleitor pode escolher com mais informação
Entre promessas, alianças e problemas que continuam esperando solução, o voto de 2026 vai definir quem terá poder para decidir os rumos de Rondônia nos próximos quatro anos — e quem representará o estado em Brasília.
Rodrigo Silva
17 de agosto de 2026, 10:27 · Atualizado em 17 de agosto de 2026, 11:34
Imagem representativa politica
As eleições de 2026 chegam a Rondônia em um momento em que o eleitor não precisa apenas saber quem são os candidatos, mas principalmente entender o que cada cargo pode fazer, de onde virá o dinheiro para cumprir as promessas e quais problemas realmente dependem daquele político.
Na urna, o eleitor rondoniense terá seis escolhas: deputado federal, deputado estadual, senador para a primeira vaga, senador para a segunda vaga, governador e presidente da República. A ordem foi definida pelo Tribunal Superior Eleitoral e, neste ano, Rondônia escolherá dois senadores.
O primeiro turno será realizado em 4 de outubro de 2026. Um eventual segundo turno ocorrerá em 25 de outubro, mas somente para presidente e governador, caso nenhum dos candidatos alcance mais da metade dos votos válidos no primeiro turno.
Este é um ponto importante para compreender a eleição: o eleitor não está escolhendo apenas uma pessoa. Está escolhendo uma equipe de governo, uma bancada legislativa e uma representação política que poderá influenciar obras, leis, orçamento, saúde, segurança, infraestrutura, educação, agricultura, regularização fundiária e a relação de Rondônia com Brasília.
Rondônia vota com seis escolhas — e duas delas são para o Senado
O TRE-RO criou a campanha “6 votos e um futuro” justamente porque uma das maiores dúvidas esperadas para 2026 está relacionada ao Senado. Rondônia terá duas vagas em disputa, e o eleitor deverá escolher dois candidatos diferentes. Não é permitido votar duas vezes no mesmo candidato ao Senado.
A sequência na urna será:
1. Deputado federal
2. Deputado estadual
3. Senador — primeira vaga
4. Senador — segunda vaga
5. Governador e vice-governador
6. Presidente e vice-presidente da República
Essa ordem vale a pena ser anotada antes de sair de casa.
Também é importante entender que deputado federal e deputado estadual são eleições proporcionais. Isso significa que o resultado não depende simplesmente de saber quem foi o candidato individualmente mais votado. As cadeiras são distribuídas considerando o desempenho dos partidos e federações, de acordo com as regras do sistema proporcional.
Rondônia mantém oito cadeiras na Câmara dos Deputados e, pela regra constitucional, possui 24 vagas na Assembleia Legislativa.
Esse detalhe muda completamente a maneira de analisar um candidato a deputado. Não basta perguntar “quantos votos ele terá?”. É preciso observar também qual partido ou federação está por trás da candidatura e qual é a força política daquela legenda.
O que está sendo disputado em Rondônia
Até 17 de agosto, os dados públicos de candidaturas mostravam seis nomes registrados para o Governo de Rondônia, todos ainda classificados como “aguardando julgamento” no sistema consultado, situação que pode mudar conforme a Justiça Eleitoral analisa os registros. A base consultada informa também que os dados são atualizados continuamente.
Os nomes registrados naquele momento eram:
Hildon de Lima Chaves — União Brasil
Adailton Antunes Ferreira — PSD
Expedito Gonçalves Ferreira Netto — PT
Pedro Abib Hecktheuer — MDB
Marcos Rogério da Silva Brito — PL
Samuel Costa Menezes — PSB
A eleição estadual, entretanto, não se resume ao Palácio Rio Madeira. O Senado também terá uma disputa relevante para Rondônia.
Até a mesma atualização do sistema consultado, apareciam dez candidaturas ao Senado:
Sílvia Cristina Amâncio Chagas — PP
Bruno Scheid — PL
Mariana Fonseca Ribeiro Carvalho de Moraes — Republicanos
Ivaneide Bandeira Cardozo — PSB
Luís Fernando Pereira da Silva — PSD
Thulio Santiago Castro — Missão
Fernando Rodrigues Máximo — PL
Acir Marcos Gurgacz — PDT
Aires Mota de Almeida — PV
Luciana de Oliveira e Silva — PT
Como o próprio banco de candidaturas é atualizado durante o processo eleitoral, o eleitor deve conferir a situação final da candidatura no DivulgaCandContas, especialmente antes de fazer ou publicar qualquer comparação definitiva.
A disputa pelo Governo: seis projetos e visões diferentes para Rondônia
Uma eleição para governador não deveria ser analisada apenas pela quantidade de obras prometidas. O governador controla uma estrutura enorme, administra orçamento estadual, participa diretamente das políticas de saúde e segurança, coordena a rede estadual de ensino, influencia infraestrutura e depende de articulação com prefeitos, Assembleia Legislativa e Governo Federal.
Por isso, mais importante do que perguntar “qual candidato promete mais?” é perguntar:
Como pretende fazer? Quanto vai custar? Quem executará? Existe dinheiro? Qual o prazo? Como será medido o resultado?
Hildon Chaves
Ex-prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves chegou à disputa estadual apresentando como referências sua experiência administrativa na capital, principalmente em infraestrutura, gestão pública e desenvolvimento econômico.
Entre as propostas divulgadas está a ampliação de um modelo de incentivo à piscicultura com a utilização de tambaqui na alimentação escolar da rede estadual. A ideia apresentada pela candidatura é unir alimentação escolar, fortalecimento da produção local e geração de renda para piscicultores.
Em agendas pelo interior, Hildon também afirmou que pretende usar as viagens pelos municípios para construir prioridades para um eventual plano de governo, passando por cidades como Buritis, Ariquemes, Jaru, Vale do Anari, Machadinho do Oeste, Cujubim, Monte Negro e Cacaulândia.
Adailton Fúria
Ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria apresenta sua trajetória municipal como parte importante do projeto estadual.
O discurso do candidato tem dado espaço para saúde e infraestrutura, além de críticas às condições da BR-364 e ao debate sobre pedágios. Ele também afirma que pretende manter autonomia política mesmo contando com o apoio do governador Marcos Rocha, deixando claro que uma eventual administração seria conduzida segundo seu próprio projeto.
Para o eleitor, a pergunta necessária é simples: quais experiências de Cacoal podem realmente ser reproduzidas em um estado com 52 municípios e realidades tão diferentes?
Expedito Netto
Ex-deputado federal, Expedito Netto apresenta uma plataforma que reúne educação, valorização do serviço público, segurança, saúde regionalizada, turismo, meio ambiente, agricultura familiar e industrialização.
Entre as propostas divulgadas estão educação em tempo integral, concursos públicos, fortalecimento dos hospitais no interior e maior agregação de valor à produção rondoniense.
A análise do eleitor, nesse caso, passa também pela dimensão fiscal: quantos servidores seriam necessários, quanto custariam as novas estruturas e como conciliar expansão dos serviços com responsabilidade nas contas públicas?
Pedro Abib
O empresário e educador Pedro Abib representa o MDB na disputa e seu grupo apresentou o projeto denominado “Caminhos para Rondônia”, estruturado em torno das vocações econômicas do estado, seu potencial natural e sua localização geográfica.
A proposta aponta para uma visão de desenvolvimento de médio prazo, mas o eleitor deve observar, durante a campanha, a transformação desse conceito em metas objetivas: quais setores receberão prioridade, quais obras serão executadas primeiro e quais indicadores serão usados para medir o resultado?
Marcos Rogério
Senador da República, Marcos Rogério apresenta-se como uma alternativa de mudança em relação ao atual governo estadual.
Entre suas bandeiras estão saúde, educação, infraestrutura e qualificação profissional. Em discurso no Senado, também defendeu uma transformação na infraestrutura rondoniense e relacionou as condições das rodovias ao custo de produção e ao desenvolvimento econômico.
Um ponto central de sua plataforma é a infraestrutura. A questão que deve acompanhar a campanha é saber quais obras são de responsabilidade estadual, quais dependem do Governo Federal e quais dependeriam de concessões ou parcerias.
Samuel Costa
Samuel Costa apresenta um discurso com forte presença de políticas sociais e saúde pública.
Entre as propostas divulgadas estão o fortalecimento da saúde mental, a criação de um hospital psiquiátrico estadual e uma rede permanente de atendimento multidisciplinar com funcionamento 24 horas, além de políticas de proteção às mulheres e assistência social.
A discussão técnica aqui é fundamental: qual será a estrutura necessária para manter um serviço dessa dimensão? Haverá contratação própria, convênios ou regionalização? Como o estado pretende financiar o funcionamento permanente?
Senado: talvez a eleição mais subestimada pelo eleitor
O Senado costuma receber menos atenção do que a disputa para governador e presidente. Para Rondônia, porém, o cargo possui enorme importância.
Senadores representam os estados e têm mandato de oito anos. O Senado participa da elaboração das leis federais, fiscaliza o Executivo e possui competências exclusivas, incluindo decisões sobre determinados cargos e operações financeiras dos estados.
Ou seja: senador não é apenas “quem consegue verba para o município”.
Entre os nomes de maior exposição pública na disputa está Sílvia Cristina, cuja atuação parlamentar tem sido fortemente associada à saúde e ao tratamento do câncer. Ao lançar sua pré-candidatura, ela apresentou como principais credenciais hospitais, centros de prevenção do câncer, centro de reabilitação e a Política Nacional de Combate ao Câncer.
Bruno Scheid apresenta uma plataforma vinculada ao agronegócio, segurança pública, combate ao crime organizado e valores conservadores.
Mariana Carvalho recebeu uma carta de demandas do setor agropecuário e destacou temas como regularização fundiária e ambiental, infraestrutura logística, segurança jurídica, crédito rural, inovação, conectividade e agroindustrialização.
Luís Fernando apresenta, entre suas propostas publicadas, críticas ao modelo de concessão da BR-364 e uma agenda relacionada à reforma tributária e à defesa de interesses econômicos de Rondônia.
Acir Gurgacz volta ao cenário eleitoral defendendo temas tradicionais de sua trajetória política, como infraestrutura, agricultura, industrialização, saúde, educação e logística. Em sua atuação anterior no Senado, a BR-364, a hidrovia do Madeira, a produção agrícola e a integração logística do estado foram temas frequentes.
As demais candidaturas também precisam ser acompanhadas. O ponto importante é não preencher a falta de informação com suposições. Quando um candidato ainda não apresentou publicamente um plano detalhado, o correto é registrar essa ausência e cobrar que ele apresente metas, custos e prioridades.
Esse é um princípio importante para qualquer eleitor e também para o jornalismo: não transformar propaganda em fato.
E os deputados federais e estaduais?
É justamente aqui que muita gente comete um erro.
O eleitor costuma prestar atenção no candidato a governador ou presidente e escolher deputado apenas pelo nome mais conhecido, pela indicação de um amigo ou pela quantidade de seguidores nas redes sociais.
Mas deputado federal tem uma função muito diferente da função de governador.
A Câmara dos Deputados explica que o parlamentar federal tem como atribuições principais legislar, fiscalizar o Executivo e acompanhar o Orçamento da União. Deputado não executa diretamente uma obra municipal. Ele pode articular recursos e apresentar emendas, mas a execução da obra depende do Executivo e das regras orçamentárias.
Isso muda completamente a pergunta que o eleitor deveria fazer.
Em vez de:
“Quantos milhões esse deputado trouxe?”
vale perguntar:
“Quanto ele conseguiu viabilizar, para onde foi o recurso, qual foi o resultado e como ele atuou na fiscalização?”
Em 2022, Rondônia elegeu oito deputados federais. Entre eles estavam Fernando Máximo, Sílvia Cristina, Lúcio Mosquini, Maurício Carvalho, Coronel Chrisóstomo, Thiago Flores, Cristiane Lopes e Lebrão, embora a composição e os partidos tenham passado por mudanças durante a legislatura.
Em 2026, existem dezenas de candidaturas à Câmara e uma quantidade ainda maior à Assembleia Legislativa. Por isso, seria enganoso apresentar uma lista arbitrária de “melhores” ou “mais importantes”.
O melhor serviço ao eleitor é ensinar como comparar.
Para deputado federal, procure respostas para cinco perguntas:
O que ele fez em Brasília?
Como votou em temas importantes?
Quantos recursos destinou e onde foram aplicados?
Fiscalizou o Governo Federal ou apenas participou de eventos?
Tem propostas concretas para Rondônia?
Para deputado estadual, a lógica muda.
O parlamentar estadual deve ser analisado pela atuação dentro da Assembleia Legislativa: leis, fiscalização do Governo do Estado, acompanhamento do orçamento estadual, comissões, requerimentos e posicionamentos.
Em outras palavras, não é correto atribuir a um deputado estadual a responsabilidade direta por asfaltar uma estrada, construir uma UBS ou reformar um hospital. Ele pode fiscalizar, cobrar, legislar e participar da articulação política, mas a execução pertence ao Executivo.
Rondônia: entre avanços reais e problemas que continuam
Uma das formas mais honestas de analisar a política de Rondônia é abandonar a ideia de que tudo deu certo ou tudo deu errado.
Os números mostram uma realidade mais complexa.
Na área fiscal, o Governo de Rondônia afirma ter mantido a nota máxima de Capacidade de Pagamento e, com a adesão ao Propag, estima uma economia superior a R$ 11 bilhões ao longo de 30 anos, além da possibilidade de ampliar a capacidade de investimento.
Esse é um dado relevante.
Mas equilíbrio fiscal não significa automaticamente serviço público perfeito.
Na infraestrutura urbana, por exemplo, existem obras concluídas, obras em andamento e também casos problemáticos. Em janeiro de 2026, a Prefeitura de Porto Velho informou ter identificado falhas graves em uma obra de pavimentação e drenagem do Parque Amazônia e afirmou que poderia rescindir o contrato e aplicar penalidades à empresa responsável.
Esse tipo de episódio mostra uma diferença importante:
anunciar uma obra é diferente de entregar uma obra funcionando.
Outro exemplo aparece no saneamento.
Dados utilizados no Plano Regional de Saneamento Básico de Rondônia mostram grandes diferenças entre os municípios. Na base apresentada pelo estudo, o atendimento urbano de água aparecia em aproximadamente 78% em Cacoal, 62% em Ji-Paraná, 36% em Porto Velho e apenas 20% em Cujubim. No esgotamento sanitário urbano, Cacoal aparecia com 64%, enquanto Ji-Paraná tinha 7%, Porto Velho 19% e Cujubim 0%.
Esses números não servem para dizer que uma prefeitura é “boa” e outra é “ruim”. Eles servem para mostrar que Rondônia não é um bloco único.
O problema de Cacoal não necessariamente é o mesmo de Cujubim.
O problema de Porto Velho não é o mesmo de Vilhena.
A realidade de quem produz em Corumbiara não é igual à realidade de quem vive na Zona Leste da capital.
E isso deveria aparecer nos debates eleitorais.
O mapa eleitoral de Rondônia é maior do que Porto Velho
Grande parte do debate político estadual acaba concentrada na capital, mas Rondônia é formada por 52 municípios, e cada região possui necessidades próprias.
No Norte e região do Madeira, questões como saúde de média e alta complexidade, mobilidade, saneamento, transporte e proteção ambiental pesam muito.
No Vale do Jamari, municípios como Ariquemes, Machadinho do Oeste, Cujubim e Buritis têm forte relação com produção rural, estradas, regularização, logística e serviços públicos.
Na região central, Ji-Paraná, Cacoal, Rolim de Moura e cidades vizinhas concentram importantes atividades comerciais, de saúde, educação e produção.
No Cone Sul, Vilhena, Colorado do Oeste, Cerejeiras, Chupinguaia, Corumbiara e Pimenteiras possuem forte conexão com agricultura, pecuária, logística e produção.
Na região do Guaporé e fronteira, infraestrutura, turismo, serviços públicos, segurança e integração regional também assumem peso diferente.
Essa diversidade é essencial para avaliar candidatos.
Um plano que fala genericamente em “desenvolvimento de Rondônia” pode parecer bom no papel, mas o eleitor precisa perguntar:
Desenvolvimento de qual região?
Com quais obras?
Para qual população?
Em qual prazo?
O que aconteceu em 2026 até agora?
A propaganda eleitoral começou oficialmente em 16 de agosto. Desde essa data, candidatos passaram a poder realizar propaganda eleitoral nas ruas, na internet e nos demais meios permitidos pela legislação.
No rádio e na televisão, a propaganda eleitoral gratuita do primeiro turno será exibida de 28 de agosto a 1º de outubro.
Materiais impressos, carreatas, caminhadas e passeatas podem ocorrer até 22h do dia 3 de outubro, véspera da votação.
A internet também terá regras específicas. Conteúdos manipulados ou fabricados por inteligência artificial possuem regras de identificação, e o TSE estabeleceu normas para combater deepfakes e conteúdos sintéticos utilizados para alterar a percepção do eleitor.
Esse será um dos grandes desafios desta eleição.
Uma imagem que parece verdadeira pode não ser.
Um vídeo aparentemente gravado por um candidato pode ter sido manipulado.
Uma frase pode ter sido retirada de contexto.
E uma publicação compartilhada milhares de vezes continua podendo ser falsa.
Em 2026, verificar antes de compartilhar também é uma forma de participação democrática.
Como o eleitor pode avaliar um candidato sem depender de propaganda
Há uma diferença enorme entre um candidato que faz muitas promessas e um candidato que apresenta um plano executável.
Uma proposta razoavelmente séria precisa responder pelo menos cinco perguntas:
1. O candidato realmente tem competência para fazer isso?
Governador não controla o orçamento federal.
Deputado não administra uma prefeitura.
Senador não executa diretamente uma obra estadual.
Presidente não pode resolver sozinho um problema que depende de município ou estado.
A primeira pergunta deve ser: esse cargo pode realmente fazer o que está sendo prometido?
2. Quanto vai custar?
Prometer hospital, estrada, concurso, redução de imposto, programas sociais e novos benefícios é fácil.
Mais difícil é explicar o orçamento.
O eleitor deve procurar números.
3. De onde virá o dinheiro?
A proposta depende do orçamento estadual?
De emenda parlamentar?
De convênio federal?
De financiamento?
De concessão?
De aumento de arrecadação?
De corte em outra área?
A origem do recurso é parte da promessa.
4. Qual é o prazo?
“Vamos melhorar a saúde” não é exatamente um plano.
“Vamos ampliar determinado serviço em determinado número de municípios, com determinada estrutura e prazo” é uma proposta mais verificável.
5. Como saberemos se deu certo?
Uma boa promessa precisa produzir um resultado que possa ser medido.
Mais vagas?
Menor fila?
Mais quilômetros pavimentados?
Menos mortes?
Mais produção?
Mais água tratada?
Menos evasão escolar?
Sem indicador, o eleitor fica dependente apenas da propaganda.
Experiência importa, mas não resolve tudo
Outro ponto que merece atenção é a experiência.
Ter sido prefeito, deputado, senador ou secretário pode ser importante porque demonstra conhecimento da máquina pública.
Mas experiência não é garantia automática de bom resultado.
Ao mesmo tempo, ser um candidato novo não significa ser incompetente.
O eleitor pode olhar para três coisas simultaneamente:
trajetória, para saber o que já foi feito;
capacidade, para entender se a pessoa domina os assuntos do cargo;
resultado, para verificar se a experiência realmente produziu melhorias.
O passado não deve ser usado apenas como propaganda.
Ele também precisa ser usado como prestação de contas.
O eleitor também deve olhar para os adversários
Um dos efeitos das redes sociais é transformar eleição em disputa entre torcidas.
Nesse ambiente, muitas pessoas só consomem informações do candidato de quem já gostam.
Isso é perigoso.
Uma maneira mais segura de analisar uma eleição é fazer o caminho inverso:
Leia o que o candidato diz.
Depois procure o que os adversários dizem sobre ele.
Depois procure documentos, dados públicos e fontes independentes.
Finalmente, volte ao candidato e veja se ele responde às críticas.
Isso permite separar crítica política, que faz parte da democracia, de informação verificável.
E quando a promessa parece boa demais?
O eleitor deve desconfiar de propostas que:
- prometem grande redução de impostos sem explicar como compensar a perda de arrecadação;
- prometem milhares de empregos sem indicar investimentos;
- anunciam obras sem apresentar fonte de recursos;
- atribuem ao político uma obra que foi executada por outro ente federativo;
- usam números sem informar a fonte;
- apresentam pesquisa sem registro ou metodologia;
- usam vídeos ou áudios que não podem ser verificados;
- atacam adversários com informações sem comprovação.
A Justiça Eleitoral disponibiliza o aplicativo Pardal, por meio do qual o eleitor pode encaminhar denúncias relacionadas a propaganda irregular, compra de votos, uso indevido da máquina pública e outras irregularidades.
O que pode e o que não pode acontecer no dia da votação?
No dia 4 de outubro, o comportamento do eleitor também precisa respeitar algumas regras.
Não é permitido fazer propaganda eleitoral, realizar boca de urna, arregimentar eleitores, promover comícios ou carreatas, distribuir material de campanha ou provocar derramamento de santinhos próximo aos locais de votação.
O eleitor pode, porém, manifestar individualmente e de forma silenciosa sua preferência por partido ou candidato, utilizando elementos como adesivos, broches, bandeiras ou camisetas, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral.
Na cabine de votação, é proibido levar celular, câmera ou outro equipamento que possa registrar ou transmitir o voto, mesmo que esteja desligado. O aparelho deve ser deixado no local indicado pela mesa receptora e recuperado após a votação.
Em Rondônia, atenção ao horário
O horário oficial da votação segue o horário de Brasília.
No caso de Rondônia, isso significa das 7h às 16h no horário local.
A recomendação prática é não deixar para o fim do dia.
Antes de sair de casa, o eleitor deve conferir seu local de votação e deixar separados os números dos seis votos.
A “cola eleitoral” pode fazer uma diferença enorme, principalmente porque será necessário votar em seis etapas e duas delas serão para o Senado.
Voto nulo e voto em branco: não escolhem ninguém
O voto branco ou nulo não é transferido para outro candidato.
Também não existe, nas eleições majoritárias, uma regra segundo a qual muitos votos nulos podem “anular a eleição”.
Para presidente e governador, a legislação considera os votos válidos para determinar quem alcança a maioria absoluta.
Por isso, votar nulo ou em branco é uma decisão do eleitor, mas não funciona como um voto destinado a nenhum candidato ou como um mecanismo automático de cancelamento da eleição.
E se eu não puder votar?
O voto é obrigatório para brasileiros alfabetizados entre 18 e 70 anos.
O voto é facultativo para pessoas analfabetas, maiores de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.
Quem estiver impossibilitado de votar deve observar os procedimentos de justificativa eleitoral e manter a situação regular perante a Justiça Eleitoral.
A pergunta que deveria acompanhar toda a campanha
A política costuma transformar eleição em disputa sobre passado.
Um candidato diz que fez.
Outro afirma que não fez.
Um promete mudar.
Outro responde que vai manter.
O eleitor fica no meio de discursos muitas vezes contraditórios.
Uma forma mais madura de acompanhar a eleição é abandonar a pergunta:
“Quem fala melhor?”
E substituí-la por:
“Quem consegue explicar melhor o que pretende fazer?”
Esse detalhe pode mudar completamente a qualidade do voto.
Rondônia não precisa apenas de promessas; precisa de acompanhamento
Depois de 4 de outubro, independentemente de quem vencer, a obrigação do cidadão não termina.
Se um governador for eleito, será necessário acompanhar suas metas.
Se um senador for eleito, acompanhar seus votos, projetos, gastos e atuação em Brasília.
Se um deputado federal for eleito, acompanhar suas votações, emendas, projetos e fiscalização.
Se um deputado estadual for eleito, acompanhar sua atuação na Assembleia Legislativa.
Democracia não é apenas escolher.
É acompanhar quem foi escolhido.
É por isso que a eleição de 2026 deveria ser tratada como o início de um contrato público de quatro ou oito anos, dependendo do cargo.
O eleitor de Rondônia tem uma tarefa maior do que escolher um nome
Rondônia cresceu economicamente, expandiu sua produção, aumentou sua população e ganhou importância logística, mas continua convivendo com problemas antigos: estradas, saneamento, saúde regionalizada, segurança, regularização fundiária, educação, infraestrutura urbana e dificuldade de transformar riqueza produzida no território em qualidade de vida para toda a população.
Há avanços que precisam ser reconhecidos.
Há problemas que continuam sem solução.
Há obras que foram entregues.
Há obras que atrasaram.
Há administrações que melhoraram indicadores.
Há situações em que o resultado ficou abaixo da promessa.
É justamente nessa diferença entre discurso e resultado que o voto deveria nascer.
Não é necessário gostar de um candidato.
Não é necessário concordar com um partido.
Não é necessário escolher pela pressão de amigos, família, igreja, empresa ou rede social.
É possível olhar para propostas, histórico, números, capacidade de execução e respeito às regras democráticas e, depois disso, tomar uma decisão individual.
Essa talvez seja a pergunta mais importante de toda a eleição:
Depois de quatro anos, o que exatamente precisará ter mudado para que o eleitor possa dizer que seu voto valeu a pena?
Quando o candidato responder isso com clareza, o eleitor terá dado um passo importante.
Quando não houver resposta, talvez seja justamente aí que esteja a pergunta que ainda precisa ser feita.
Serviço eleitoral — Eleições 2026 em Rondônia
Primeiro turno: 4 de outubro de 2026
Segundo turno, se houver: 25 de outubro de 2026
Horário em Rondônia: 7h às 16h, horário local
Cargos: deputado federal, deputado estadual, senador — duas vagas —, governador e presidente
Campanha eleitoral: desde 16 de agosto
Propaganda eleitoral gratuita no rádio e TV: de 28 de agosto a 1º de outubro
Votação: seis escolhas na urna, nesta ordem: deputado federal, deputado estadual, senador, senador, governador e presidente.
Importante: as listas de candidaturas podem sofrer alterações durante o julgamento dos registros. Para conferir a situação oficial de um candidato, o caminho mais seguro é consultar o sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas da Justiça Eleitoral. Os dados publicados em 17 de agosto mostram diversos registros ainda “aguardando julgamento”.
Esta matéria foi construída com base em informações da Justiça Eleitoral, Senado Federal, Câmara dos Deputados, documentos públicos e declarações divulgadas pelas próprias candidaturas ou por veículos de imprensa de Rondônia. Propostas atribuídas aos candidatos representam o que foi divulgado por suas campanhas ou em entrevistas e não constituem avaliação de mérito por parte da reportagem.
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